26 fevereiro 2008

O sonho brasileiro de vivenciar o poder de Superbanks

Depois de cumprir a minha missão em Sydney parti para um sonho antigo de morar na costa dourada australiana, Gold Coast. Resolvi ir de ônibus para admirar a paisagem, são cerca de 12 horas de viagem pelas estradas da Pacific High Way. Antes de sair de Sydney vi um lugar para ficar em Tweed Heads, o bairro que divide os estados de NSW e QLD, apenas uma quadra atrás na praia de Coolangatta (Cooly). E quando vi que estávamos entrando na Gold Coast e ainda já de cara em Cooly já pensei é aqui!! Então percebi que iríamos fazer uma parada e já me manifestei com ansiedade em descer: – O motorista vou para aqui mesmo! Mas para a minha frustração o motorista falou: - Você só pode descer em Surfers Paradadise, há 40 minutos daqui! Passei perto...mas tudo bem sabia que o sonho estava apenas começando fui curtindo o visual da cidade.
Surfers Paradise é o grande centro de Gold mas lá não tem muito de paraíso do surf, são prédios e mais prédios, casas noturnas, a praia é uma bancada que parece a Barra da Tijuca. Nada muito especial, o que me atraiu foi o Rio que corta essa região trazendo uma linda paisagem com as montanhas de fundo. Muitos brasileiros vivem por aqui pois fica perto das escolas de inglês e das oportunidades de trabalho em bares, hotéis e restaurantes.
O pico de Snapper Rocks fica na praia de Rainbow Bay em Coolangatta, o bairro inicial da Gold Coast. Uma região com um ar de interior em que as pessoas sorriem na rua, te cumprimentam, param para os pedestres, com surfshops, escolas de surfe e três surf clubes. A minha 2˚ parada foi direto nesse lugar fascinante com areia branca, um lindo visual e ondas e mais ondas. Um croud que até me assustou na 1˚ impressão mas que traz uma beleza por essa essência de ser uma das maiores raízes no surf.
A emoção de chegar em um lugar pela primeira vez é um êxtase do descobrir, do caminhar pelas mão de Deus, na fé que alimentei durante anos. Pois se a vida é construída nos sonhos, o sentimento de realizar é cercado pela energia do amor. Uma paixão pelas ondas e as raízes do surf. Os dias foram passando e fui me familiarizando com o lugar na espera por boas ondas.
Esta temporada Snapper Rocks deixou a desejar na tão esperada 1˚ etapa do circuito mundial de surf WCT 2008. A sorte bateu poucos dias antes de começar o campeonato, uma grande ondulação de leste trouxe ondas com mais de dois metros, 6-8 pés. E o famosos Superbank mostrou a sua potência quebrando as famosas ondas da costa dourada australiana, Kirra, Green Mountain, Snapper Rocks e um dia épico em Duranbah, um pico ao lado de Snapper.

No 1˚ dia do swell quarta-feira 20 de Fevereiro em Snapper Rock, já as 7 da manhã havia vários fotógrafos e pessoas na praia assistindo a sessão de surf. Um dia com tempo fechado e com um certo vento que fazia com que as ondas não quebrassem tão perfeitas em Snapper, mas já deu para sentir a pressão do point break. Joel Parkinson, Bobby Martinez, Jeremy Flores, Pancho Sullivan já estavam treinando para o início do WCT. O atual campeão mundial Mick Fanning surfou logo cedo em Green Mountain, a 2˚ sessão do Superbank, uma onda mais outside e Duranbah estava “close out!” fechando tudo.

No 2˚ dia também já cheguei bem cedo para coletar imagens para o meu vídeo de surf, dei um check em Snapper mas não estava tão atraente e antes mesmo de montar o tripé algo me levou para Duranbah. Quando subi o morro que divide Snapper e Dbah, olhei as ondas fiquei pasma: “Nossa parece bem melhor”. Estava muito diferente de outros dias. E já com a câmera na mão filmando tudo, vi um tubo de um surfista com os braços abertos, nessa hora me deu uma pilha e já desci para filmar. Encontrei vários surfistas profissionais por lá como: Mick Fanning, Taj Burrow, Cj e Damien Hobgood, Dean Morrison, Bede Durbidge e mais alguns... Tubos mais tubos, a maioria para a direita, irado! Depois eles comentaram que foi o melhor dia dos últimos 6 anos em Duranbah, pois estava liso, grande e com um volume de “power” formando tubos insanos. Na parte da tarde entrou o vento mudando a condição.

Depois no final de tarde fui conferir Kirra que é a ultima sessão da bancada Superbank. Uma onda que eu ainda não tinha visto quebrar de verdade, e quando me deparei com a perfeição do quebra mar: “Gente o que é isso?” Uma direita que forma tubo, sessão de manobra e se der sorte mais tubo. Uma das ondas mais lindas que já vi na minha vida e depois me sentindo realizada pelo longo dia de filmagem parei para apreciar o pôr-do-sol de Kirra.

Já no 3˚ dia sexta –feira começou o trials do quiksilver pro mas em Snapper as ondas não estavam muito boas para filmar, apresentando drop, uma sessão de manobras e a onda já enchia. Então fui para Duranbah conferir o final do swell, ainda com alguns bons tubos mas menores. De tarde a condição começou a mudar para pior, infelizmente. Mas foi uma experiência incrível ver essas raízes do surf quebrar com os melhores do mundo aproveitando o swell com a Alma Surf.

Nos dias seguintes Netuno deu uma trégua no envio das ondas e um dos maiores eventos do circuito mundial de surf, Quiksilver e Roxy Pro, contou com o show exclusivamente realizado pelos surfistas em vez do power das ondas. Adriano de Sousa foi o brasileiro de maior destaque durante a competição, começou avançando direto para a 3˚ fase em cima do campeão mundial CJ Hobgood, depois conquistou o prêmio da expression session, acertou três aéreos sendo que o ultimo foi estratosférico. Na seqüência ganhou a bateria contra o australiano Luke Stedmann top 16 e só foi barrado pelo 8X campeão mundial Kelly Slater. Uma das baterias mais emocionantes, Slater começou forte com notas 8.83 e 9.67 mostrando sede de vitória. Adriano Mineirinho não se abalou e também foi bem aplaudido descolando notas 7.83 e na sua segunda melhor onda fez bonito numa seqüência de manobras conseguiu se igualando a nota do octacampeão 9.67. E o resultado terminou com apenas um ponto de diferença: 18.50 x 17.50 do brasileiro.
No restante o maior fenômeno do surf reinou com performances incríveis nas poucas ondas, bateria por bateria foi avançando até o último confronto do WCT. Kelly Slater conquistou a vitória adiando a sua planejada aposentadoria.
Apenas 20 minutos de Collangatha encontrei mais um paraíso do surf, Burleigh Heads uma parada exótica. O caminho para o surf é magnífico cercado por um parque de reserva ambiental. A visão da onda com as pedras na encosta trazem um ar rupestre, de ilha, mas que se quebra se olharmos para trás com prédios e toda agitação deste lugar que é um dos mais badalados da Gold. O point break é um dos mais consistentes da região com formação de sudeste. De manhã cedo sempre tem umas direitas, 1 metro é o básico, e pode chegar até 3m para os kamikases. Jat Thompson é um dos surfistas do WCT que mora aqui. Tirei tanta foto, para cada lado que se olhava um aspecto diferente. No mais eu continuo morando na Gold Coast e daqui não quero sair tão cedo... Aloha! Próxima parada Bells Beach.

12 janeiro 2008

Pablo Paulino se consagra bicampeão Mundial Pro Junior pela ASP

O Brasil carimbou mais uma vez a galeria de campeões do Mundial Pro Junior com a excelente performance do surfista Pablo Paulino. O campeonato Billabong ASP Pro Junior apresenta os melhores surfistas da nova geração que prometem no cenário do circuito mundial de surf, na disputa pelo titulo do ano de campempeao mundial pro junior. Surfistas de oito regioes do planeta vieram disputar a 9 edicao do campeonato. Um total de 48 surfistas masculinos e 18 na categoria feminina, sendo que 4 convidados.

O campeonato deste ano foi com um swell enorme durante a primeira semana de janeiro de 2008. Foram 4 dias de pura adrenalina no outside da costa australiana, séries de 5-8 pés formando esquerdas pesadas e tubulares. A direção de swell Nordeste e vento maral, no início do campeonato, e acalmando nos últimos dias.

Durante todas as fases da competição o brasileiro surpreendeu os juizes radicalizando nas manobras e levando o público ao delírio com a boa performance nas ondas. Na 1˚ fase Pablo Paulino começou com o pé direito atingindo o maior somatório do dia, 17.03 se classificando direto para a 3˚ fase, junto com Yan Guimarães. Já os brasileiros Adriano de Sousa, Wyli Dantas, Charlie Brow, Giancairo Zampieri e Robson Santos que não passaram da 2˚fase sendo barrados para as oitavas de final.

O dia da final começou com ondas de 4-6 pés e um fraco vento terral possibilitando show de surf na praia de North Narrabeen em Northern Beaches, Sydney - NSW - Austrália. A tarde o vento virou mas as ondas continuaram consistentes para as baterias finais.

Depois de realizar as duas ultimas baterias da 1˚ fase do feminino, entrou em ação as oitavas de final do masculino, com os melhores surfistas do mundo, até 21 anos, disputando o caneco da temporada 2007. O melhor somatório das oitavas ficou com o havaiano Tonino Benson atingindo 17,67 e pegou um tubo alucinante arrancando a nota 10 do campeonato.

Enquanto que Pablo Paulino, teve a tarefa de superar um dos favoritos ao titulo deste ano, o jovem australiano Julian Wilson, famosos por seus aéreos. Pablo venceu por menos de 1 ponto de diferença 12,24 X 11,67 do australiano. Outro surfista que se destacou nas ondas de Narrabeen foi o francês Charles Martin com uma nota 9,6 e o somatório de 15,77 nas oitavas de final.

Nas quartas de final Pablo entrou na 3˚ bateria, numa disputa acirrada com o australiano Mitchel Coleborn. O ausie começou bem liderando boa parte da bateria mas Pablo não se intimidou e virou nos últimos minutos fazendo o somatório de 13,17 X 13 pts de Coleborn. E o francês Martin conseguiu as melhores notas das quartas somando 15,83.

Nas semi-finais o havaino Tonino Benson venceu o americano Tanner Gudauskas por 14.50 x 13,66. E Pablo arrebentou com duas notas em torno de 8 pontos, somando 16,76 e deixando o francês Charles Martin em combinação com 8,67 pts de somatório. “Esse cara surfa muito bem!! Conseguiu boas notas e eu não tive boa sorte nas ondas. Desejo boa sorte para ele na final”, relata no final da bateria o Francês das Ilhas Galápagos.

“Nessa bateria eu entrei mais tranqüilo do que nas outras. Todas contra australianos e essa foi com um francês. Eu já disputei baterias com ele na Europa, foi só ficar bem calmo ali e optar pelo meu surfe mesmo. Arrancar umas notas boas dos juizes que eu acho que to surfando bem. Quero representar bem o Brasil na final e levar esse bicampeonato.” Disse o finalista Pablo Paulino, brasileiro que está no seu ultímo ano na categoria Junior.

Bunda lele durante a expression session
O sul-africano Klee Strachan levou o premio de melhor manobra com um aereo no Panasonic Expression Session. Um dos surfistas avacalhou com a sessão de surf dos vôos. Surfando por 15 minutos sem bermuda. Levando o locutor a criar uma grande piada antes da grande final, depois o surfista saiu, meio sem jeito diante do publico enorme, e rindo muito também.

A Grande Final em North Narrabeen
Os finalistas Pablo e Tonino Benson foram os convidados pela ASP para participar da etapa de abertura do calendário da ASP 2008, Billabong World Junior Championship North Narrabeen Australia. “Estou super feliz com a torcida do Brasil e de a ASP ter me convidado no meu ultimo ano de Junior. Quero agradecer a ASP e fazer um bom resultado, mostrar que eu merecia esse convite”. Agradece o brasileiro Pablo Paulino.

A grande final foi marcada pela torcida brasileira com bandeiras nas areias da Austrália. Pablo começou arrebentando conseguindo uma nota 8 e Tonino Benson não se achou nas ondas de North Narrabeen. Enquanto que Pablo, em sintonia com o mar conquistou o caneco da temporada 2007, com 15 pts X 9,93 do havaiano. Se consagrando Bicampeão Mundial Pro Junior de Surf .

“ Promessa cumprida. Eu estou muito feliz tenho certeza que o Brasil ta muito feliz com esse 2˚ titulo no Mundial Pro Junior. Estou trabalhando forte para entrar no WCT. Já venho há três anos competindo no WQS, e esse ano vou com mais gás para tentar a minha vaga no WCT. Meu segundo titulo aqui, eu to muito feliz!!

Galeria dos campeões sub 21 da ASP

2007 Pablo Paulino (Bra)
2006 Jordy Smith (Afr) e Nicola Atherton (Aus)
2005 Kekoa Bacalso (Haw) e Jessi Miley-Dyer (Aus)
2004 Pablo Paulino (Bra)
2003 Adriano Mineirinho (Bra)
2001 Joel Parkinson (Aus)
2000 Pedro Henrique (Bra)
1999 Joel Parkinson (Aus)
1998 Andy Irons (Haw)

Resultado do Billabong World Junior 2008

1 Pablo Paulino (Bra)
2 Tonino Benson (Haw)
3 Tanner Gudauskas (EUA)
3 Charles Martin (Gal)
5 Nicolau Von Rupp (Ale)
5 Owen Wright (Aus)
5 Mitchel Coleborn (Aus)
5 Beau Atchison (Aus)
17 Adriano Mineirinho (Bra)
17 Charlie Brown (Bra)
17 Wiggolly Dantas (Bra)
33 Yan Guimarães (Bra)
33 Robson Santos (Bra)
33 Giancarlo Zampieri (Bra)

20 novembro 2007

Australia, Surf Clubes e piscinas olímpicas nas praias

Eu sempre ouvi falar dos famosos Surf Clubs da Austrália sendo uma das minhas grandes curiosidades aqui. E me surpreendeu, pois são bem operacionais em todas as praias com: salva-vidas, jet-skis, equipamentos esportivos, atividades com a população, escolas de surf e banheiros. No andar de cima geralmente salas de jogos e restaurantes, além do acervos cultural com fotos antigas da praia e do incrível campeonato nacional de salva-vidas e nadadores que eles realizam todos os anos. Muito legal ter um lugar que pode reunir diferentes tipos de pessoas.

O dia-dia os salva-vidas é diferente do Brasil. Trabalham demarcando área para banhistas e quem se atreve a mergulhar em outras áreas toma um pito com direito a alto-falante, vi varias vezes isso e chega a ser engraçado. O risco de tubarões está sempre a tona para os salva-vidas, que executam um ótimo trabalho e quando necessário soam o alarme evacuando a área.

Outra atração, que mostra essa confraternização em contato com o mar, são as piscinas olímpicas de água salgada em todas as praias de Sydney. Tipo uma área de lazer, nas rochas costeiras. Reúne banhistas e nadadores, protegidos dos tubarões. Muito bacana, além de proporcionar uma excelente visão do outside.

Pássaros em todos os cantos
Outro aspecto encantador da Austrália é a variedade de pássaros com seus cantos diferentes: em dupla como os piriquitos coloridos chamados de “lorikeet”, todos os dias fim de tarde eles fazem um verdadeiro coro. Cockatoo é pássaro branco com uma juba amarela, uma marca registrada daqui, e o corvo preto tem um canto muito engraçado que parece um bebe chorão.

01 novembro 2007

Pagína de Vídeos de surf completa um ano

A cada dia o surf ganha novos admiradores por suas linhas nas ondas integrando o homem a natureza. Esse fascínio pode ser expressado ao surfar ou pela ascendente arte que o surf gera como: filmes, fotos, vídeos,  pinturas, livros e textos.

A pagina de vídeos www.youtube.com/isabellenara, está fazendo aniversário de um ano em dezembro de 2007. O canal conta com 45 videos de surf e ultrapassou 45.000 exibições nesta semana.“ Estou muito contente com o índice de publico que consegui em uma ano,  mais de 40 mil já da para lotar um estádio! E  com esse resultado posso ter uma estimativa para os próximos anos de trabalho,”  diz Isabelle Nara criadora da pagina de vídeos, responsável coleta e edição de imagens.

Até agora os vídeos de maior sucesso são os dois trailers do DVD Ala Feminina Brasil, gravado nos anos de 2004 e 2005 nos campeonatos de surf brasileiros, retratando a categoria de surf feminino. Outros vídeos de destaque são as finais do Billabong Pro Girls Itacaré em 2006 e 2007. 

Nesta pagina o publico vai poder encontrar imagens de surf no Brasil, Tahiti Teahupoo, Fiji, Gold Coat, Hawaii, Sydney.  E ainda vem mais em 2008 com as novas produções da jornalista e produtora de vídeos de surf Isabelle Nara.

 “ Daqui em diante pretendo continuar desenvolvendo vídeos em campeonatos de surf , e tocar umas filmagens no Ala Feminina e o documentário Gaia Surf Tour – Oceânia”  diz a jornalista que atualmente está na Austrália, e de lá continua sua expedição por picos de surf.

Isabelle Nara viaja para Austrália com o apoio de www.lojasbompreco.com

Radical Zone Vídeos


 

 

14 outubro 2007

Brasileira é barrada na disputa pela liderança do WCT Feminino

Silvana lima é a surfista que agora segura mais alto o sonho brasileiro de conquistar o titulo do WCT. A cearense esta no seu segundo ano na elite das Tops 17 do surf feminino e já vem tirando o sono de muita surfista, com seu estilo inovador entre as meninas. Agora ela segue firme na briga pelo titulo da temporada 2007, acumulando um 3˚, 9˚ e três 2˚ posições.

Atualmente é vice-líder do ranking, com três finais consecutivas que mostram o seu potencial de campeã. E ainda, tendo que ser barrada sem o mínimo de bom senso da comissão técnica australiana, na 5˚ etapa do WCT feminino que já entrou para a história do surf brasileiro, como mais uma barreira a ser superada: o favoritismo.

As 9 horas da manhã no outside de Curl-Curl em Northen Beaches, Sydney Austrália, apita a sirene para o inicio da grande final no NAB Beachley Classic 2007. O time brasileiro bem representado por Silvana Lima contra a australiana Stephanie Gilmore, favorita e campeã dessa mesma etapa no ano passado. O coração dos brasileiros se unem na torcida fora e dentro do mar com a Sil, incentivando a sua primeira vitória no WCT, tão sonhada pela protagonista e seus fãns. E para a minha surpresa nas areias australianas, nenhuma bandeira, torcida fraca ou aplausos na “Terra do Surf”, para as surfistas locais e que tem o maior número de atletas no WCT masculino e feminino. Enquanto que os brasileiros fanáticos com torcida organizada!!

Quebrando praticamente só a vala das direitas, com as duas atletas regular, o duelo prometia ser ponto a ponto e não deu outra. Silvana pega as duas primeiras ondas da bateria e já começa se jogando numa junção assustadora e voando para aquecer as turbinas. Na sequência Silvana entra com um floter e manobra no critico da junção que não passa dos 7,17 pontos. Gilmore já atenta para a disputa pega uma esquerda e dá umas batidas, sem nada de especial. Em seguida dropa uma boa direita que abre legal, mandando quatro manobras, formando um leque mas sem muita radicalidade na finalização, atingindo incríveis 9 pontos.

Nesse momento deu para sentir o que estava por vir... A brasileira entra numa onda e escorrega sem pontuar e a australiana pega mais duas ondas fracas, manda um floter alto mas não consegue finalizar. Na sequencia Silvana pega uma ótima onda, na 1˚ rasgada um leque, depois uma batida na cara da onda, uma rabetada na junção que tira as quilhas para fora d’agua e voltando com muiiito estilo. Fazendo o publico vibrar a cada momento, muito emocionante. Nesse momento veio na minha percepção é hoje!! Mas ao mesmo tempo, ainda me concentrando em toda a filmagem, senti algo diferente e me veio uma tristeza. Como que se a vitória fosse escapar por pouco... Saindo então mais uma nota em torno de sete...7,23 pts, decepção num julgamento impreciso.

Na sequência mais uma onda da Gilmore com duas rasgadas boas, jogando agua, mas na ultima manobra ela cai e os juízes soltam 6,07 pontos. Nesse momento Silvana persiste sentindo que tem mais uma pedra no seu caminho, e que não é só as ondas ou o surf da Stephanie mas alguém querendo segurar os resultados. Pega duas ondas sem pontuar e na terceira arrebenta atingindo 8,10 pontos.

Gilmore sente sua prioridade no território australiano, precisando de 6,33 pts, pega uma onda meio torta, manda 4 manobras que não encaixam no critico e vem a bomba: 6,43 pts. Uma virada inexplicável na vantagem de 0,1 ponto numa onda sem expressão. Silvana ainda segue firme mas sente na pele a injustiça, precisando de 7 pega a ultima onda da bateria manda duas rasgadas boas e na ultima manobra cai e pontua 5,57. A brasileira sai do mar revoltada, com todo direito, por essa confusão que deixaram acontecer na maior etapa do circuito mundial de surf feminino.

Silvana Lima: “ Não é possível que isso esteja acontecendo, e só por causa de três pessoas, tem cinco juizes e três erram! Só porque é a Stephanie Gilmore? Você viu a nota que me deram? 7,5 naquela onda com um floter e manobra na junção, não entra na minha cabeça isso... Eles deviam pagar multa, já que agente paga multa, eles também deviam! Pois isso não está certo, foi ridículo!”

Pedro Robalo, técnico da atleta Silvana Lima “Eu gostei muito do desempenho da Silvana neste campeonato, algumas das melhores baterias que a Sil já disputou taticamente. Está bem focada, sabe exatamente o que fazer durante as baterias. Eu acredito que ela esta pronta para conquistar o titulo e agente vai seguir na briga mesmo com tudo isso.”

Stephanie sai do mar com os olhos arregalados e parece não acreditar que levou vantagem em casa, pela a equipe dos juizes sendo comandada pelo head jud que perdeu a noção do seu trabalho, em ser imparcial, para dar pontos a sua favorita. Empurrada com um tapinha nas costas Gilmore conquista a sua 1˚ vitória em 2007.

“Eu sei que de todo jeito ela ganhou e não sei como isso esta acontecendo... Foi a primeira vez que surfei numa bateria contra a Silvana e eu estava com muito medo. Ela é incrível, sempre arrebenta fazendo aéreos e manobras alucinantes. Na minha mente ela é a melhor surfista no tour wct deste ano. Com toda certeza essa foi uma das baterias mais difíceis na minha vida.” Diz a australiana que com a vitória assumiu a liderança do ranking com 4308 pts.

Logo depois de Silvana se acalmar, com as orientações de seu técnico Robalo, a atleta sobe para as entrevistas da ASP, sendo aplaudida fortemente por todos que presenciaram a disputa desta bateria. Uma decisão equivoca que pode contar na disputa de um titulo mundial. Na pontuação do ranking Silvana está a menos de 100 pontos de Stephanie, com 4226 e agora segue com muita sede no final de outubro na 6˚ etapa do WCT, Peru América Latina. “Esse resultado foi muito importante e não acredito que perdi mas ainda tem mais 3 etapas”, diz Silvana se conformando com o resultado.

Jacqueline Silva, brasileira há 10 anos no WCT: “Os juizes soltaram muita nota nas ondas da Stephanie e a Silvana saiu prejudicada. Achei injusto o resultado. Não desmerecendo a Gilmore que pegou umas ondas, mas a Silvana surfou muito bem, está na disputa do titulo e veio de dois vice-campeonatos. Tenho certeza que ela entrou para ganhar e ganhou! Só que os juizes não deram. E isso vem acontecendo em alguns julgamentos durante o ano, os juizes acabam soltando mais nota para surfistas que tem nome. Pior é que não é a Stephanie a culpada, quem da nota são os juizes e eu também acho que eles deviam pagar multa.”

Chelsea Georgeson, australiana campeã mundial 2005: Foi uma bateria muito complicada e numa decisão é sempre difícil. As duas surfaram muito bem, disputa acirrada com uma diferença muito pequena. É sempre difícil quando acaba numa situação dessa, para os juizes conseguirem separar quem é a melhor, e eu prefiro não comentar sobre quem saiu na frente.

Layne Beachley, australiana 7X campeã mundial: “Eu não vi a final, mas a disputa do titulo deste ano vai ficar entre a Stephanie Gilmore e a Silvana Lima. As duas tem um surfe muito inovador e estou muito orgulhosa da nova geração do surf feminino no WCT.

Isabelle videomaker viaja para a Australia com o apoio de:
www.lojasbompreco.com, www.vm4.com.br e www.mormaiieyewear.com.br

Confira o vídeo da final na integra:
http://www.youtube.com/watch?v=8qhwIWYJIZ0

Video editado clique aqui:
www.youtube.com/isabellenara
http://www.youtube.com/watch?v=ac-_gA1h5Yo

09 outubro 2007

Açaí é o luxo brasileiro na Austrália


O açaí brasileiro vem conquistando o paladar das tops do WCT feminino na 5˚ etapa em Manly Beach, Sydney NSW Austrália. Todos os dias de manhã rola um café para as atletas e organização e o açaí vem sendo a grande atração. Foi uma exigência no cardápio feita pela australiana 7x campeã mundial Layne Beachley, que é uma grande fã da fruta importada da Floresta Amazônica.”Eu amo comer açaí. É realmente refrescante e ótimo para começar o dia! Como cafeína... e é uma fruta natural muito gostosa”, diz Layne uma das organizadoras do evento se deliciando com o café.

Fazem mais de 3 anos que Américo Tonetti, diretor da Amazon Power, é responsável pela importação e distribuição da fruta em estabelecimentos na Austrália. Eles ensinam a preparar essa fruta tão exótica para o povo australiano. “É legal porque dá energia para os atletas e eles definitivamente adoram”.

Ano passado o açaí também foi solicitado a convite da organização para ser distribuído para os atletas, convidados e staff na etapa em Sydney. O grupo também já trabalhou em outros eventos como o Quiksilver Pro na Gold Coast, onde segundo Américo a fila era grande e freqüentada pelos astros do surf. ”Tinha a fila para o pessoal pegar o açaí na tigela, o pessoal pegava e voltava para o final da fila. Ai vinha conversando para em seguida repetir a dose. Os Tops 44 curtiram muito como o Kelly Slater que sempre tava com um pote na mão. E era engraçado porque agente não vencia de tanto açaí e o pessoal ficava esperando os potes chegarem”. Diz Américo amarradão no negocio que deu certo no mercado do surf.

Enquanto conversava com o Américo sobre o sucesso do açaí por aqui, chegou a surfista australiana Claire Bevilacqua que antes de ir fazer um surf treino perguntou até que horas o açaí fica no café da manhã. E confessou: “Eu adoro comer açaí depois de surfar, porque é uma fruta muito energética. É uma comida muito irada e ótima para a saúde, definitivamente é o meu tipo de comida!”

Jessi Myler Dyer, Nicola Atherton, Silvana Lima também adoram comer açaí. É um pedacinho do Brasil que começa a invadir os principais eventos de surf no mundo.


Agradecimentos para a produção de reportagens na Austrália.
www.lojasbompreco.com, Mormaii Eye Wear